ESPECIALISTAS EXPLICAM COMO A ALIMENTAÇÃO PODE CONTRIBUIR PARA A SAÚDE DURANTE A MENOPAUSA

Ondas de calor, alterações de humor, ganho de peso e noites mal dormidas estão entre os sintomas que podem acompanhar a menopausa. Embora essa seja uma fase natural da vida da mulher, hábitos saudáveis, incluindo uma alimentação equilibrada e o acompanhamento médico adequado, podem contribuir para o bem-estar e para a prevenção de algumas condições associadas ao período.

De acordo com a ginecologista Dra. Patricia Magier, formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), "as necessidades nutricionais das mulheres mudam significativamente durante essa fase, devido às alterações hormonais, metabólicas e fisiológicas".

Como a alimentação influencia o organismo

Durante a menopausa, ocorre uma redução na produção de estrogênio, hormônio que desempenha um papel importante na saúde óssea, cardiovascular e metabólica. Essa mudança pode favorecer a perda de massa óssea e aumentar o risco de osteoporose, além de estar associada a alterações no perfil cardiovascular.

Segundo a Dra. Patricia, "com menos estrogênio, o corpo absorve menos cálcio e perde massa óssea mais rapidamente, o que aumenta o risco de osteoporose e fraturas".

Nesse contexto, uma alimentação equilibrada, rica em proteínas de qualidade, cálcio, vitamina D, fibras e gorduras insaturadas, pode contribuir para a manutenção da saúde dos ossos, do coração e do metabolismo. Aliada a outros hábitos saudáveis, ela também auxilia no controle da glicemia e na manutenção da massa muscular.

Além disso, alimentos como leguminosas, frutas, verduras, oleaginosas e derivados da soja podem fazer parte de um padrão alimentar saudável. Alguns estudos sugerem que determinados alimentos, especialmente os ricos em fitoestrógenos, podem beneficiar parte das mulheres em relação a sintomas como ondas de calor, embora os resultados variem entre indivíduos e ainda sejam objeto de pesquisa.

Nutrientes importantes nessa fase

Entre os nutrientes que recebem atenção estão os fitoestrógenos, compostos de origem vegetal encontrados em alimentos como soja, linhaça e grão-de-bico. Eles apresentam estrutura semelhante ao estrogênio e alguns estudos apontam que podem contribuir para o alívio de determinados sintomas da menopausa em algumas mulheres, embora as evidências científicas ainda sejam variadas.

Outro nutriente importante é o ômega-3, presente em peixes como salmão e sardinha.

"Essas gorduras boas ajudam a controlar a inflamação, favorecem a saúde do coração e contribuem para o equilíbrio do humor", explica a ginecologista.

Manter a glicemia estável também é um dos objetivos da alimentação nessa fase. Para isso, recomenda-se combinar proteínas, carboidratos integrais e gorduras saudáveis nas refeições, estratégia que pode favorecer maior saciedade e níveis mais estáveis de energia ao longo do dia.

Frutas e vegetais variados também fornecem antioxidantes, vitaminas e minerais importantes para a saúde geral e para o funcionamento adequado do organismo.

Padrões alimentares associados à saúde na menopausa

De acordo com a ginecologista Dra. Ana Paula Fabricio, pós-graduada em Nutrologia pela ABRAN, alguns padrões alimentares apresentam benefícios reconhecidos para a saúde e podem ser aliados durante a menopausa quando adotados com orientação profissional.

  • Dieta Mediterrânea: rica em frutas, vegetais, grãos integrais, azeite de oliva, oleaginosas e peixes. Está associada à proteção cardiovascular, à saúde óssea e à melhora da qualidade da alimentação.
  • Alimentação rica em fitoestrógenos: inclui alimentos como soja, tofu, lentilha, linhaça e grão-de-bico. Alguns estudos sugerem que esse padrão pode beneficiar parte das mulheres em relação a sintomas da menopausa, embora a resposta seja individual.
  • Dietas vegetarianas e veganas bem planejadas: quando adequadamente balanceadas, podem fornecer fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes importantes para a saúde geral.
  • Dieta DASH: desenvolvida originalmente para auxiliar no controle da pressão arterial, prioriza frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras, contribuindo para a saúde cardiovascular e para uma alimentação equilibrada.

Segundo as especialistas, essas estratégias alimentares devem ser individualizadas e podem fazer parte de um cuidado mais amplo durante essa fase da vida.

Mais do que dieta: um estilo de vida saudável

As médicas destacam que a alimentação é uma importante aliada da saúde da mulher e, quando necessário, pode ser associada a outros tratamentos indicados pelo médico, incluindo a terapia hormonal para pacientes com indicação clínica.

"Essas abordagens não competem entre si — elas se complementam. A alimentação melhora a resposta do corpo às mudanças da menopausa e ainda protege contra doenças crônicas", afirma a Dra. Patricia Magier.

Entre as orientações práticas para o dia a dia, ela recomenda planejar as refeições, priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, optar por grãos integrais e manter opções saudáveis disponíveis, como frutas, iogurte natural e oleaginosas.

Preparar refeições antecipadamente e congelar porções também pode facilitar a rotina e favorecer escolhas alimentares mais equilibradas.

Um investimento em saúde a longo prazo

Adotar um padrão alimentar baseado em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite de oliva, peixes e sementes está associado à redução do risco de diversas doenças crônicas e à promoção da saúde ao longo do envelhecimento.

"Mais do que aliviar desconfortos momentâneos, comer bem na menopausa é um investimento em saúde a longo prazo. É o caminho para garantir vitalidade, equilíbrio e qualidade de vida", conclui a Dra. Patricia Magier.


Nota ao leitor

Embora uma alimentação saudável possa contribuir para a qualidade de vida durante a menopausa, ela não substitui a avaliação médica. Mulheres que apresentem sintomas intensos ou possuam condições de saúde específicas devem procurar acompanhamento com profissionais qualificados para receber orientações individualizadas.


Fontes

  • Dra. Patricia Magier – Ginecologista formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica pelo IASERJ e pós-graduação pela UNIRIO. Possui Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO) e especialização em Medicina Integrativa e Funcional. Criadora do Método Plena para cuidado integral da mulher.
    Instagram: @drapatriciamagier
  • Dra. Ana Paula Fabricio – Ginecologista com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO). Pós-graduada em Nutrologia pela ABRAN e em Medicina Estética.
    Instagram: @dra.anapaulafabricio

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